Prensa-cabo é o componente mais barato do quadro e o que mais compromete o grau de proteção. E o motivo é quase sempre o mesmo: alguém escolheu pela seção do condutor em vez do diâmetro externo do cabo.
Ref.: EN 50262 — roscas métricas para prensa-cabos. Faixas de aperto conforme catálogo de fabricante.
A rosca de um prensa-cabo tem uma faixa de aperto: um diâmetro mínimo e um máximo entre os quais a vedação funciona. Essa faixa é definida em milímetros de diâmetro externo do cabo — a medida de fora, sobre a cobertura.
A seção do condutor não determina esse diâmetro. Um cabo de 16 mm² em PVC 750 V, um 16 mm² unipolar 0,6/1 kV e um PP de 3 vias de 16 mm² têm diâmetros externos bem diferentes. Especificar “prensa-cabo para 16 mm²” não é especificação.
Fora da faixa, o componente falha de duas formas. Diâmetro abaixo do mínimo: a vedação não comprime, o grau IP declarado deixa de valer e entra umidade ou poeira. Diâmetro acima do máximo: não fecha, ou fecha esmagando a cobertura do cabo — que é dano mecânico permanente.
Conviver com três séries é fonte constante de erro em obra. A série PG é a tradicional em painéis de fabricação nacional. A BSP (Whitworth) aparece em equipamentos de origem inglesa e em instrumentação. A métrica (M12, M16, M20…) é o padrão europeu atual e o que a EN 50262 normaliza.
O ponto crítico: a rosca tem de casar com o furo do invólucro ou do equipamento, e a faixa de aperto tem de casar com o cabo. São duas restrições independentes, e é comum a peça atender uma e não a outra.
Na prática, para um mesmo diâmetro de cabo normalmente existe mais de uma rosca compatível em séries diferentes. Quem decide qual usar é o furo disponível no quadro — por isso vale conhecer todas as opções antes de comprar.
O módulo é um seletor por faixa, não um cálculo normativo — e é honesto quanto a isso. Ele resolve o trabalho chato de cruzar o diâmetro do cabo com as tabelas de três séries de rosca.
Se você não tem o diâmetro externo em mão, a ferramenta o estima a partir do tipo e da seção do cabo, para cabos unipolares de baixa tensão e para cabos PP de 2 a 5 vias.
O que define a escolha é o diâmetro externo do cabo, que precisa estar dentro da faixa de aperto da rosca. A seção do condutor não serve como critério: cabos de mesma bitola e coberturas diferentes têm diâmetros externos bem distintos.
São três séries de rosca distintas. PG é tradicional em painéis nacionais, BSP (Whitworth) aparece em equipamentos de origem inglesa e instrumentação, e a métrica é o padrão europeu atual, normalizado pela EN 50262. A rosca tem de casar com o furo do invólucro; a faixa de aperto, com o cabo.
Sim. Fora da faixa de aperto a vedação não comprime corretamente e o IP declarado deixa de valer. Diâmetro acima do máximo também pode esmagar a cobertura do cabo, o que é dano mecânico permanente.
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