Em média tensão o cabo não é decidido pela corrente. Ele é decidido pelo pior de três critérios que precisam ser atendidos ao mesmo tempo — e o que costuma governar não é a ampacidade, é o curto-circuito.
Ref.: ABNT NBR 14039 — instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV
A NBR 14039 cobre instalações de 1,0 kV a 36,2 kV à frequência industrial. A primeira decisão do dimensionamento não é a seção: é a classe de isolação do cabo, que precisa ser compatível com a tensão de serviço do sistema.
Escolher classe abaixo da tensão de serviço é falha de isolamento à espera de acontecer. Escolher muito acima é custo desnecessário — e, em algumas famílias de cabo, mudança de temperatura máxima do condutor, o que altera toda a conta de ampacidade.
Vale notar que a partir das classes mais altas o mercado trabalha essencialmente com isolações de 105 °C, o que muda o fator de correção de temperatura e a constante adiabática do cabo.
A seção adotada é a maior entre as três verificações abaixo. Em baixa tensão o critério determinante costuma ser ampacidade ou queda de tensão; em média tensão, com correntes menores e níveis de curto-circuito altos, é muito comum que o curto-circuito governe — e um projeto que só verifica corrente nominal passa longe disso.
Ampacidade. A corrente admissível tabelada do cabo, corrigida pela temperatura ambiente e pelo agrupamento de ternas, tem de ser maior ou igual à corrente de projeto.
Curto-circuito, regime adiabático. A seção mínima vem de S = Icc × √t / k, onde t é o tempo de eliminação do defeito e k é a constante do conjunto condutor/isolação. Aqui o tempo de atuação da proteção entra diretamente no dimensionamento do cabo: proteção lenta exige cabo mais grosso.
Queda de tensão. Calculada com a resistência e a reatância reais do cabo — ΔV% = √3 · Ib · L · (r·cosφ + x·senφ) / VFF × 100. Em média tensão a reatância pesa muito mais que em baixa, e ignorá-la subestima a queda.
Referência de temperatura errada. Cabo ao ar livre é tabelado a 30 °C; cabo enterrado, a 20 °C. Aplicar o fator de correção contra a referência errada distorce a ampacidade nos dois sentidos, e o erro é silencioso.
Disposição dos cabos ignorada. Terna em trifólio justaposto e cabos espaçados têm ampacidades diferentes para a mesma seção. Não é detalhe de montagem: é entrada de cálculo.
Agrupamento de ternas esquecido. Várias ternas no mesmo banco de dutos ou na mesma bandeja trocam calor. O fator de agrupamento em instalação enterrada é bem mais severo que ao ar livre.
Curto-circuito não verificado. É o erro mais grave, porque o cabo passa em operação normal e só falha no evento — quando o dano é térmico e irreversível.
O módulo opera em dois modos: dimensionar a partir da carga, ou verificar um cabo já definido em projeto. Nos dois casos ele informa qual foi o critério determinante — a informação que o revisor do projeto vai perguntar primeiro.
Sim. O módulo de média tensão do Phi cobre de 1 kV a 36,2 kV e verifica os três critérios da NBR 14039 — ampacidade corrigida, curto-circuito em regime adiabático e queda de tensão — com memorial de cálculo em PDF.
Escolha primeiro a classe de isolação compatível com a tensão de serviço, depois verifique os três critérios em conjunto: a seção adotada é a maior entre eles. Em 13,8 kV é comum o curto-circuito governar o resultado, não a corrente nominal.
A ferramenta trabalha com limite de 5% como padrão de projeto, ajustável. O ponto crítico é o método de cálculo: em média tensão a reatância do cabo pesa muito, e desprezá-la subestima a queda.
Cabos de média tensão de 1 kV a 36,2 kV, com os três critérios verificados e memorial em PDF.